segunda-feira, 28 de abril de 2008

CAMINHO


Quando um caminho se fecha
Vários se abrem
Alguns até já estavam abertos
Mas eram uma segunda opção

Quando um caminho se fecha
Poupa a minha energia
Evita o meu desgaste
Possibilita trocar a noite pelo dia
Encantar cabrochas
Que antes do bater da porta
Eu não cantaria

Quando um caminho se fecha
As costas eu viro
Olho as novas possibilidades
Sem olhar para trás
Retiro-me

Quando um caminho se fecha
Abrem-se novos horizontes
Novas perspectivas
A inspiração ganha uma nova fonte
Eu sigo o meu caminho

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Menina Brejeira


Minha gringa é assim
Olha-me querendo não olhar
Beija-me com medo de beijar
Garota faceira
Quer ser mulher moderna
Mas na minha presença
É menina brejeira
Que olha com vergonha
Escondendo a sem-vergonha
Que me canta sob o luar



Na nossa diária distância
Numa rede acorda-me
Faz-se olhar
Caricaturas suas
Encontram palavras minhas
Nas horas solitárias de navegação
Mas a mulher moderna
Na minha presença
É menina brejeira
Agora saliente e sedutora
Não se faz tímida
E até me afronta
Num abraço quente
Beija-me e mostra seu verdadeiro mar.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

QUIÇÁ MULHER


É impressionante quando o olho bate
Sem meias palavras ou dissimulações
Acompanhado ou não
O olho bate
Mas o problema é quando encontra reflexo sem espelho
Bate e volta
A noite passa
Passam dias
E volta a bater
O mergulho no azul do seu mar é intenso
Apenas um olhar
Molho-me e fico a cortejar a areia branca marear

Lolita em outrora
Menina-moça
Quiçá mulher
Acredito que me enamora
Mas sempre está com um qualquer

Uma tempestade de areia me envolve
Branca
Lança-me seu mar
Como que diz me quer
É!! Lolita me enamora
Menina-moça
Quiçá mulher

sábado, 12 de abril de 2008

Cigana Vitória


Cabeça pousada no meu pandeiro
A fronte sob os Arcos
Como o ecoar de um surdo triste
Uma lágrima despenca e encontra meus olhos
Uma gota no oceano da minha menina
Em um instante
A saia vermelha me afronta de assalto
Não consigo ver além

O bonde passa
E como a ajudar uma criança
Minha doce cigana tira o lenço da cabeça
Enxuga-me como a acariciar meu mar
À minha menina se revela

Vitória em um sorriso
Que antes escondido
Começa a saia rodar
Rodeia-me como a um rufião
No seu pandeiro a repousar
Que contempla ao lado da diva
Uma vista
Que lembra versos de um capoeira da Lapa
Revelando à cigana-menina toda beleza
“Do céu que a mãe natureza reservou pra este lugar”
E que no jogo, o mundo dá voltas
E mil votas ele dará
Por isso minha cigana
Vamos simbora
Iê!! Simbora Camará

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Solidão


Vida de cigano é meio solitária
Caminho com vários amores
Não resisto às tentações da vida mundana
Da minha boemia
De repente, falta o cobertor de orelha
Fica parecendo aquela casa sem telha
Ou com várias quebradas, com goteira para todo lado
Torço para que sejam gotas de aguardente
Como na história dos escravos de outrora

segunda-feira, 7 de abril de 2008

IDENTIDADE PERDIDA


Cadê as pedras do Arpoador?
Onde estão meus cabelos?
Quem eu sou?

Cadê as pedras do Arpoador?
Meu pôr-do-sol mais lúdico e prepotente
Onde estou, o sol não brilha
Ri diferente
Acho que de mim
Eu nem sei quem sou

Cadê as pedras do Arpoador?
Meu mar mais perfeito
Ao lado do Diabo
Contemplo os braços abertos do meu Cristo Redentor
Essa redenção seria para mim?
Ele sabe quem sou?

Cadê as pedras do Arpoador?
Minha poluída Baía da Guanabara
Estou respirando o sujo do céu
Sem poder me sujar na água
Esconder-me no lixo
Para não saber quem eu sou

Cadê as pedras do Arpoador?
E os meus bondes?
O de Açúcar e o de Teresa?
O Arco dos meus cabelos
Cadê a poesia do meu boêmio sonhador?

Cadê as pedras do Arpoador?
Se me achar
Mostre-me a mim
Seja meu espelho
Reflita o meu lado feio
Para eu descobrir em mim quem sou

CORRENDO ERRADO

Sabe aquela sensação de jogar errado, correr errado? Olhando pela janela, em mais uma noite numa terra que não é minha, me bate essa nóia. É clássico, o placar está adverso, mas não levo muito jeito para perdedor, mas tô jogando errado. Na verdade, analisando os fatos, só perdi quando me perdi. Até aprendi muito nesse aspecto. Mas me perdi. Às vezes você olha o jogo, ergue a cabeça, olha de novo, vê a melhor opção, mas o cara está impedido. Você perde a chance do empate, o princípio da virada. Na ânsia de reverter a situação, corre como um juvenil, se desgastando e esquecendo dos atalhos que você conheceu nas batalhas perdidas. Novamente corre errado. Perde o bonde. Mas o pior é jogar de forma equivocada em um campo sem torcida, longe de casa, sabendo que os seus, de longe, torcem por você. Mas, como parar de correr errado? Isso se aprende?

Tem gente que gosta!!!