Preciso de você
Mas quero escrever
Sem falar em vício, dependência ou o quanto me consome
Isso faz mal
Hoje você é o meu bem
Me completa
Me ama e me lê
Preciso de você
Porque o vermelho que ainda era verde no meu peito
Já está pronto para ser colhido
Ser desfrutado por inteiro
Não em dois bem partidos
E seu sabor é doce sem adicional
Preciso de você
Exprimindo meu lado brega
Seus olhos são a pedra preciosa do paraíso
E até quando faço feio
Você me olha com um sorriso
A canastrona mais autêntica
Minha moleca
Minha mulher
Preciso de você
Porque no escasso dormir
Não me canso de te ver
Faz meu lado feio sumir
Transforma-me no homem que um dia quero ser
Que todo dia quer despertar do sono
Olhar ao lado
E perceber que todo dia terei você
terça-feira, 27 de maio de 2008
PARANDO
Quero parar
Cortar palavras com uma foice
Matar a inspiração com o capuz da linda morte
Nocautear minha felicidade
Ver meu coração sangrar
E lamentar porque hoje tenho um grande amor
Quero parar
Ceifar pela raiz meus pensamentos
Destruir minha tranqüilidade e escrever lamentos
Para o mundo não invejar
Quero parar
De pensar na possibilidade
De um dia não mais devanear
De parar de pensar
Que o meu prazer pro mundo não posso mais mostrar
Quero sangrar sim
Lagrimas de alegria
Como um beija-flor
Espalhar o pólen-poesia
Não me importa quem leia
Desde que a minha menina me veja
E saiba que só ela é minha pop star
Cortar palavras com uma foice
Matar a inspiração com o capuz da linda morte
Nocautear minha felicidade
Ver meu coração sangrar
E lamentar porque hoje tenho um grande amor
Quero parar
Ceifar pela raiz meus pensamentos
Destruir minha tranqüilidade e escrever lamentos
Para o mundo não invejar
Quero parar
De pensar na possibilidade
De um dia não mais devanear
De parar de pensar
Que o meu prazer pro mundo não posso mais mostrar
Quero sangrar sim
Lagrimas de alegria
Como um beija-flor
Espalhar o pólen-poesia
Não me importa quem leia
Desde que a minha menina me veja
E saiba que só ela é minha pop star
MEU BAR
A saudade me consome
De forma bucólica
Sem dor
Sabendo que logo nos encontraremos pra uma cerva
Contando trocados
Ela entre um copo e um trago
Na garganta, meu pigarro
No beijo, o cinzeiro constante
Com canela
Sobre o braço da cadeira
Nosso momento mais distante
No nosso santuário de bar em bar
Na máquina
Rola a nossa trilha sonora
Refém das moedas gringas
A mesa vibra rock
Eu deixo
Minha menina não é sambô
Admirando nossos defeitos
Suportando nossas qualidades
A boca não desgruda
Não tenho medo dos boatos
Mas dizem que é amor
De forma bucólica
Sem dor
Sabendo que logo nos encontraremos pra uma cerva
Contando trocados
Ela entre um copo e um trago
Na garganta, meu pigarro
No beijo, o cinzeiro constante
Com canela
Sobre o braço da cadeira
Nosso momento mais distante
No nosso santuário de bar em bar
Na máquina
Rola a nossa trilha sonora
Refém das moedas gringas
A mesa vibra rock
Eu deixo
Minha menina não é sambô
Admirando nossos defeitos
Suportando nossas qualidades
A boca não desgruda
Não tenho medo dos boatos
Mas dizem que é amor
segunda-feira, 26 de maio de 2008
PONTO FINAL

Trânsito parado
A lotação segue lenta
Parece saborear enquanto contorna as curvas que me levam a você
Então a ansiedade e o estresse urbano
Nem conseguem aparecer
Ficam sob as rodas do meu mercedes azul com chofer
Andando em direção aos Arcos
Penso em você no 247 Passeio
Hoje o momento que mais anseio
O poder a saudade matar
Conhecendo Teresa em seu bonde
Vendo-a pendurada
Balançando em cada lombada
Sem esconder o sorriso de menina
Que descobre uma nova aventura
Sem perder o jeito
Que faz minha mulher
Do relógio central
Na passagem pelo estádio do jornalista
Depois de passarmos dando Bandeira
Avistamos a quadra da Estação Primeira de Mangueira
Procurando um novo engenho para o nosso novo pôr-do-sol
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Na congregação da noite boêmia, em meio ao turbilhão de cores e ritmos, a cor branca, refletindo o palco urbano em verde, se destaca, mexe com o malandro perdido entre as cabrochas. A loira do balcão é o objeto de aproximação entre ambos. Um duelo de instinto e sedução. A noite segue entre flertes fortuitos, álcool, samba e boemia. Parecia o prenúncio do surgir de uma nova poesia, uma nova inspiração, que caminha no ritmo do bonde sobre os arcos, onde todos olham, mas poucos vêem. No passo sobre os trilhos inertes, a distância vira a amiga que aproxima, que afasta obstáculos, que fascina. Na rede, a aranha tece delicadamente uma deliciosa armadilha, um esconderijo de prazer e proteção, que prepara para as trilhas que eles não sabem onde darão. No abrir e fechar desse mundo, o ingresso não é cobrado, alguns se excluem, mas quem sabe chegar tem lugar cativo, sempre há espaço pra mais um amigo e até para quem se considera inimigo. A inveja não assusta, dá pena, mas o teatro está armado e o ator, na sua comédia del’arte, sempre quer platéia pra entrar em cena.Até porque, no teatro urbano não se vive numa redoma de vidro, se sofre por amor de donzela ou de bandido, mas o ideal é curtir um início sem meio e fim, porque atuar pensando em como vai ser o final tira a improvisação. Aí é melhor a bilheteria nem abrir, porque o casal principal já pede o standin, e faz da teia armadilha o seu camarim......
Em certos momentos, a vontade é de você largar tudo, chutar o balde, deixar a vida de lado, com aquele baseado que você nunca fumou procurando um pouco de tranqüilidade. Tudo parece tão nebuloso, as perspectivas escassas, sem opções de saídas com o mundo todo a sua frente. O próximo passo está preso na perna de trás, uma tonelada de chumbo pra você levantar os joelhos, é difícil se movimentar. Mas olho pro lado, ando na rua e vejo no reflexo da minha garrafa de cerveja uma mão estendida pedindo um pão, um aperto, querendo fazer parte daquele momento social, de estar à mesa.
terça-feira, 20 de maio de 2008
TEMPESTADE

Sou consumido por inteiro
Crio pra minha madona vários nomes
Várias faces de um querer
A diva caminha comigo
Invade meus pensamentos
Quando nossas nuvens se chocam
É uma tempestade sem tormento
Um vento que sussurra a excitação momentânea
Que retrata o tesão sem hora pra acabar
Uma paixão louca
Que já não tem espaço em nós
Destila relâmpagos e trovões
Nosso outdoor mais explícito
Que causa inveja ou dor
Mas incita outras paixões
Na propaganda nossa, ditamos a moda
Que o casal, frio em outrora, sempre procura imitar
Almejando o sorriso bobo depois do sarro
Vendo no rosto a flor mais linda
Com cara de minha menina-gringa
Num pretenso amar
sexta-feira, 16 de maio de 2008
O vício e o antídoto

Uma tremedeira me aflige
A necessidade é cada vez mais eminente
Tento podar-me
Controlar-me
Desviciar-me
Mas o querer é mais forte
O seduzir da menina verde
É como um hipnotismo da serpente
Paralisa o eu presa
Envolve-me com seus braços
Faz-me dependente
Crava seus dentes na jugular
Sem pudor
Beija-me tragando seu próprio veneno
Um antídoto pro seu próprio vício em mim
As bocas se abrem
As línguas se percorrem
Antídoto e veneno na mesma corrente
Sem volta, sem medo
Não quero cura, quero desejo
quinta-feira, 15 de maio de 2008
DOROTI

De mãos dadas na minha pedreira
Olhamos turbulências de um mar revolto
Sem ventos nem tempestades
O mar parece querer nos derrubar
Mas estamos sólidos
Na rocha nossa
Que absorve os impactos
E devolve as águas a si
O espetáculo natural
Completa o cenário desse encontro inesperado
Causa temor
Mas na pedra nossa
Parecemos fixar raízes
Irrigadas pelo nosso inimigo presente
A paisagem impede qualquer aventura
Mas sempre Doroti
Sem desventuras
E a cada noite menos menina
Mais mulher
Vicia-me
E assim vou adorando a ti
Extinguindo os momentos sem Doroti
quarta-feira, 7 de maio de 2008
TÁ NA RODA

De passagem num bar, já bêbado
Inebriado de samba e álcool
Alguém me traz uma lucidez momentânea
Ou seria um delírio do devaneio meu?
Olhos fixos
Bailo e canto procurando a atenção
Sinto-me à vontade em território próprio
Preparo minhas armadilhas
Jogo fora minhas cartas vazias
Construo na Lapa meu apogeu
Fantasio-me de ópio
Ofereço desejo
Com meu personagem mais simbólico
A essência de um cigano
E o gingado do malandro
Entro no jogo
Esperando o momento da meia lua certeira
A lua floresce meu encanto
E no ecoar do meu canto
Conquisto a minha gringa brejeira
AUTO-AUTÓPSIA
De repente, você se vê perdido entre incertezas, angústias, temores e amores. A vontade é de sair de mim mesmo, para depois entrar com força e chegar ao fundo de mim, ultrapassando no cerne e estudando minhas entranhas. Como uma faca me estripar, virar-me do avesso, expondo minhas tripas ao relento para que todos vejam a minha dor mais profunda, meus medos mais internos, minha face com cor. O vermelho sendo vomitado em todas as suas nuances, em todas as suas gradações, como uma impressão digital que vai sendo reconstruída, o renascer do meu personagem, sem máscara, capaz de amar, sofrer, trepar e gemer, sem achar o gozo um momento feio, tão íntimo que não pode ser exposto, que seja escondido no banheiro mais sujo, de maneira egoísta, covarde mesmo.
terça-feira, 6 de maio de 2008
VICIADO

Ela me consome
Após o acordar
O abrir a janela
Procuro-a
Branca, distante
A consumo sem pudor
Um viciado
No momento escondido
Solitário
Onde só ela sabe me fazer dependente
Como uma droga
Vejo-a
Não sinto seu cheiro
Mas cheiro a carreira o dia todo
Todo dia
A droga importada
Que vem de uma Alemanha sem muros
De uma Arábia sem petróleo
Só para me viciar
A vejo índia
Gringa minha
Com mais um dono
Viciado, quero a Branca só minha
Domino a boca
E perco o domínio
Consumindo todo meu pó
OLHAR DO ALTO

Do alto da pedreira, tenho uma visão privilegiada de mundo. Descer causa insegurança. É mais fácil trazer a diva a mim do que descer e adentrar um terreno desconhecido, cheio de armadilhas, onde não mais tenho a visão ampla a qual estou acostumado. Mas o surgir da gringa índia, brejeira no meu eremita-momento, mostra a possibilidade de desmontar a camuflagem na porta da caverna minha, meu abrigo mais sólido, que esconde as minhas verdades. Abro aos poucos, com meu cajado na mão, minha muleta de segurança, muitos dizem o símbolo de sabedoria, mas na verdade é o que esconde, no dia-a-dia, meus defeitos maiores, mas que um sábio já dito havia, que logo, como um bêbado, cairia.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
ABORTO
Eu quereria simplesmente pensar
Que simples seria o não pensar em ti
Aborta-la dos meus pensamentos
Como quem se livra de um ser indesejável
Eu quereria simplesmente pensar
Que o querer a ti fosse como o simples abortar
O virar de uma página que não entra na síntese
Só se encontra no dicionário de um novo linguajar
Eu quereria simplesmente pensar
Que o meu aborto a ti fosse natural
Sem seqüelas, nem remorsos
Sem a mim me culpar
Eu quereria simplesmente pensar
Que só por hoje não pensarei mais em nada
Como um dependente
Abortar a ti a cada dia
Superar esse penar
E então não querer mais pensar
Que simples seria o não pensar em ti
Aborta-la dos meus pensamentos
Como quem se livra de um ser indesejável
Eu quereria simplesmente pensar
Que o querer a ti fosse como o simples abortar
O virar de uma página que não entra na síntese
Só se encontra no dicionário de um novo linguajar
Eu quereria simplesmente pensar
Que o meu aborto a ti fosse natural
Sem seqüelas, nem remorsos
Sem a mim me culpar
Eu quereria simplesmente pensar
Que só por hoje não pensarei mais em nada
Como um dependente
Abortar a ti a cada dia
Superar esse penar
E então não querer mais pensar
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