segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

ROLA UM BAR


ROLA UM BAR

E aí menina?
Vai rolar um bar?
Não se faça de desentendida
A moça não é inocente
Sabe que à toa não vou lhe cortejar

E aí menina?
Vai rolar um bar?
Hoje estou meio sozinho
Bateu uma vontade de ver você
Acho que tô meio carente
Querendo chamar a atenção
Mas se me faz um carinho
Fico quieto no meu canto
Só pra gente sair

E aí menina?
Vai rolar um bar?
Tá valorizando muito!!!
Quer saber ?
Meu destino é a Lapa
Embaixo dos arcos
Ou entra na minha, sem bancar a chata
Ou segue teu rumo
Posso pisar errado
Mas a roupa, não sujo
É rabo de arraia pintando na salão
Uma cerva no bar
Sob a noite de lua cheia
A Três Marias me guia
Ensaio três passos
Descolo a companhia
Acompanho-me na noite
Mas sigo carente da sua atenção
E aí menina?
Vai rolar um bar?

MOMENTO

Olha-me perdida
Querendo encontrar-se em mim
Estendo-lhe a mão
Punho fechado
Esperando a palavra certa para abrir

Vejo medo nos olhos
Vejo-me
Observo o temor de uma criança
Apenas olho
Ceifo a mata virgem
Abro o caminho obscuro
Punho fechado e erguido
Esperando a palavra certa para abrir

O álcool inebria
Não me vejo
Abro o punho no momento errado
A mão fica à deriva
Vazia

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

VAZIO

VAZIO

Já deparaste com o nada
O que tu podes conceituar de vazio
Oh, sim! Tu és a menina feia
Altista
Trancada num hospício
Prisioneira de si
Cerca-se de loucos famintos
Querendo devorar a ti
És prisioneira não de si
E sim do medo algoz

Conheces o nada
Já tiveras nada
Sabe o que é não ter
Tu tens demais e tens medo de ter ainda mais
O ter faz a ti sofrer
Sofrem por nunca poderem ter
Quem tem
Sofre por perder
Sofres por quererdes criar um vazio constante

Tu viras a essência do nada
Sabe que o nada tem essência
Se não sabe
Procura o verdadeiro vazio
E verás que do vazio não sabe nada
Tu procuras o que não sabe
Reclama
Clama
De ter
O que não tens
A ti não pertence
Quando tu vires o vazio
Realmente
Quando o vazio tocar-te no cerne
Não reclamarás do vazio
Enfrentará o vazio

Nasceste no vazio?
Mentira!
Crianças são jogadas ao vazio
Condenadas ao vazio
Conhecem o amor como nada
Não tem nada de amor
Não amam e ainda são imputadas a viver na dor
Sem amor
Reclamamos do vazio porque somos mesquinhos
O vácuo tem que ser preenchido
Não me preencho enchendo o saco dos outros
Acho um saco amar os outros
Quero o amor a mim restrito
Quero ser egoísta
Deixar de ser vazio
Pra sentir pena de quem realmente é um ponto vazio no mundo

Conheces o vazio
Mostra-me então
Prova a mim que algo realmente lhe falta
Ou será que tu escolhes o que deve faltar
Na verdade a ti não falta nada
Procuras apenas uma ilusão
Inventas um jeito de reclamar
Mas se tu provares a mim que tens um lugar vazio
Provarei que tens o vazio por causa apenas de ti
Uma fantasia criada
Fez de ti uma hipocondríaca do amor.

BANAL

Grades de segurança
Fim da insegurança?
Terror no mundo inteiro
Balas encontram vidas perdidas
Um préstito pela paz
Somos bestas
Presas por uma peia
A esperança é imarcescível
Mas a flor morre e murcha
As pessoas morrem
A esperança infla cada vez mais
É o motor do mundo
Tristezas deságuam
Num rio de sangue
Rio, São Paulo, Brasil
O mundo
É a terra do sangue
A aids dizima a África
Crianças morrem no Oriente Médio
Na esquina
De balas
Atrás de balas
De fome
Sem uma boneca para brincar
Uma garrafa de solvente afasta a realidade
A falta da infância
É um episódio a se lamentar

Procuramos o Quilombo moderno
Sem a presença do antigo Zumbi
Andamos
Corremos
Andamos em círculos
Nos escondemos de nossas crianças
Andamos de maneira jacente
Paralisados
Aturdidos pela violência atroz
Cada dia de trabalho
Uma despedida constante
A incerteza do reencontro
O mau suspício
Sempre mutilam quem espera
Trancado na prisão
Que se tornou o lar nosso de cada dia

Uma notícia
Um mau presságio
Um infarto
Alarmes falsos
Abrem e fecham as portas
Das celas domiciliares
Um estampido
Mas um olhar se perde
Olhos esbugalham
Batimentos aceleram
E desaceleram na mesma intensidade
A violência cotidiana
Tornou banal
A passagem
Do carnal para o espiritual

BANCO CENTRAL


BANCO CENTRAL

Procura-se o melhor mote
Para que possa ser possível
Achar um preço para o seu dote
Milhões de versos
Algumas poesias reais
Linhas dolarizadas
Floreios no papel
Querendo atrair algum florim
A saída para a insegurança
É ser franco com uma caneta
Diante das incógnitas
Que fazem ferver a Argentina interna
O repentista nordestino
Contenta-se com os centavos arrecadados
Nos shows no centro da cidade



Com o peso de ser
Influenciado pela prepotência americana
O malandro Brasileiro
Espera que alguns escritos
Equivalham a algum euro
Ou ao seu ouro mais interno
Na dúvida de onde investir
Aconselha - se:
Tomar cuidado com a reforma cambial
Viver neste mercado flutuante
Pode ser gostoso e frustrante
Uma fuga para um paraíso fiscal
A armadilha da vida real
O grande problema é burlar o imposto de renda
Pretende-se furar seu escudo
Existe a pretensão de estabelecer um marco
A marca de tempos atrás
Derruba a possibilidade de contemplação de um novo sol

Faces


Faces

Você me lê
Adentra no meu baú velho
Mas ainda fica na porta de entrada
Presa a estigmas
Marcas superficiais
Que nem sempre retratam o real conteúdo do produto
A vida e´um celeiro de personagens
Mas a maioria,
Quase todos,
Não conhece o ator principal
Drama e comédia
São as máscaras que escondem o verdadeiro ser
Estar exposto
Ser vulnerável no cerne
E´algo difícil de acontecer

Galinha sensível ?
Só se a sensibilidade estiver dentro do ovo
A casca
Na verdade
Apenas esconde a insegurança
E só se rompe se alguém souber chocar
Caso contrário,
Continuo no palco
Choco
Às vezes me escondo na coxia
Mas sempre no palco
Faço da tragédia
Meu improviso na Commedia dell’Arte
E uso o velho texto batido
Para manter as convenções
Ate porque,
Meu improviso real
Pode ficar sempre preso neste papel

Esse liquidificador de faces
Mistura minhas superficialidades
Onde a diva nasce e morre
Na mais lenta rotação
Mas nunca se mistura a uma imensidão de ninfetas
Que o meu real nunca enxergarão
Você enxerga com um olho
Então...
Abre o outro
E não só me veja
Mas aprenda que entre um monte de ninfas
A diva é sempre diferente
Olhe pra si
E com os dois olhos você verá
Qual a diferença para mim

STOP


Querem sempre me brecar
Não sei parar
Ando devagar
Às vezes desgovernado na mesa de um bar
Feliz ou triste
Querem sempre me brecar
Dizem querer meu bem
Todos querem meu bem
Mas nunca estão bem
Sabem o que é bom para os outros
Não sabem pra si
Mas querem me brecar

Quero me brecar
Quero me fazer bem
Não importando a opinião dos outros
A maioria das pessoas não vive bem
Casos de amor mal resolvidos
Eu tenho meus casos
Mas não são de amor
Por isso são bem resolvidos
Meus relacionamentos têm muito tesão
Tesão nunca é mal resolvido
Sexo pode ser mal feito
Mas isso se resolve na hora
Sexo é descartável
Nunca mal resolvido

Pra que me brecar ?
Querem que eu seja igual a todos
Não sou mais um na multidão
Quero andar desgovernado na mesa de um bar
Cheio de amigos
Infestado de mulheres satisfazendo meus desejos
Eu já quis isso
Hoje não

Quero me brecar
Mas não quero ficar parado
Quero governar na mesa de um bar
Coberto de amigos
Uma diva pra tirar onda
Acho que estou meio diferente
Ou estou carente
Ou chegou a hora do verde madurar

Segredo Montanhês

Segredo Montanhês
Montanhas são fortalezas de segurança
Por onde destilam fontes puras
Guardando segredos obscuros
Montanhas, diante de sua imponência
Vão perdendo seu gigantismo com o tempo
Efeitos causados pelo, aparentemente, inofensivo vento
Efeitos causados pela pequena chuva
Chuva que abastece as minas
As montanhas escondem as minas
De água, de qualquer metal precioso
As montanhas, enquanto mistério
Guardam pra si seus encantos
Encantos que, quando descobertos, podem acelerar a erosão da montanha
Encantos, até então, sinônimos de fascinação
Encantos que levam à destruição
Com a ajuda da natureza
Uma autodefesa
O gigante seguro esconde-se ao máximo
Mesmo sempre estando exposto
Sempre sendo visto
Sem ser desvendado
Imponente, mascarado
Camuflado dentro do seu ser
A indumentária protege
É a segurança
Alguém adentra seu interior
Motivo de temor, louvor?
Um intruso que vê a superficialidade
Invade a interioridade
Sem ter noção da responsabilidade de tão ambiciosa exploração
Um bandeirante aventureiro
Um louco devaneio
Segredos de séculos de existência
As avalanches são a chave de proteção
Neve ou pedra
São instrumentos para a inquisição
Sentimentos de difícil interjeição
Falsa expressão
Alicerce racional
A insegurança faz tanger
Faz nascer o eremita egoísta
Detentor dos segredos da montanha
Que esconde-se no pico do gigante
Em busca de proteção
Protegendo a si
O eremita é sempre mal visto
Mal compreendido
Apenas não entendido
É a segurança da montanha
Protege-se na montanha
Não teme avalanches, não teme deslizes
Conhece suas armadilhas
Seus atalhos
Não pisa em falso
Não teme pisar em falso
Conhece o interior, guarda pra si
Perde a visão do superficial
Pra olhar de dentro
Sempre descobrindo novos segredos
O eremita é a segurança que o bandeirante não passa
Mas o bandeirante cansa de aventura
Deslumbra-se quando reconhece a riqueza interior
Torna-se um eremita
Esquisito, malvisto, incompreendido
Mas sempre bem protegido
Livre de deslizes e avalanches
Conhecendo e reconhecendo os caminhos da segurança
Às vezes leva tempo
As trilhas são longas
Tortuosas, têm espinhos
Mas o sabor da conquista vale a pena
Descobre-se que o vale não é inane
No cesto tem serpentes
Serpentes que gostam de música
Que defendem a fonte
Escondem-se na mina
Protegem, são protegidas
São detentoras da segurança
Causam insegurança
São o segredo montês
O eremita doma-as sem flauta
Doma as serpentes
Doma os segredos
Doma a montanha
A montanha doma-o
Ambos sem medo
Sem insegurança
Uma montanha com séculos de criança

RESTOS DE MIM

RESTOS DE MIM
Querem restos de mim
Procuram meus restos no lixo
Não me reciclo
Necessitam dos meus restos sem reciclagem
Vasculham minhas lixeiras
Minha lixeira
Atrás de algo que não me serve mais
Não serve para mim
Serve a outros
Para outros
Outros que querem restos de mim
Algo que já teve seu valor
Para mim não mais tem
Para outros os restos são preciosidades
Preciosos restos de mim
Eu jogo no lixo
Não reciclo
Mas quem necessita
Procura meu lixo
Procura um lixo
Que não precisa ser reciclado
Roubam-me os restos de mim
Roubam-me meu lixo
Tomam os restos de mim

Na morte doarei meus órgãos
Em vida dou restos de mim
Meu corpo será de peixes ou vermes
Inteiro ou cremado
Alguém quer meus restos
Em vida dou os restos de mim
Ou melhor, jogo fora
Alguém necessita, vasculha
Acha restos de mim
Na lixeira
Na sarjeta
Na privada perdem os restos de mim

Os restos de mim vão para os porcos
Humano porco
Porco humano
Molambos em vida, brigando
Brigando pelos restos de mim
Porcos que engordam com lavagem
Lavagem de restos de mim
Lavagem que não se recicla
São os piores restos nutritivos de mim
Engordam os porcos
Porcos que engordam homens
Homens que brigam por restos de mim

Os restos de mim dou para mendigos
Roupa velha, rasgada
Dôo minha lixeira
Desfaço-me de determinada historia
Jogo fora restos de mim
Sou um bom cidadão
Não convivo com restos
Não reciclo minha historia
Sou diferente de um porco
Não suporto chiqueiro
Muitos querem
Eu não
Não quero restos de mim

Dou minha sucata ao ferro-velho
O sucateiro é o mensageiro
O portal pra quem quer restos de mim
Tem meus restos novos e usados
Que podem ser reutilizados
Reciclados
Por quem quer restos de mim
Podem ser restos desmontados
O sucateiro vende no varejo
Varejo das peças dos restos de mim
Vende para quem peça
Para quem necessite dos restos de mim
O sucateiro vende também no atacado
Os necessitados atacam os restos de mim
Ou não
Certos restos ficam estagnados
Inutilizados
Por terem sido usados por mim
Não sou bom cidadão
Inutilizo certos restos
Na verdade eles se inutilizam
Mas me culpam
Na verdade o culpado sou eu
Eles são apenas restos de mim
Restos sem identidade
Restos com minhas digitais
Mulheres com minhas marcas
Mulheres que se tornaram restos de mim

Raios






Raios

Os raios são lindos
Pena que a tempestade é tão sinistra
Na noite escura
Quero sempre olhar os riscos no céu
Não consigo
Os trovões me assustam
Fico assustado
Olhos presos
Pressionados no travesseiro
Quando a tempestade passa
Os raios já se foram
Presos nos pretéritos
Vistos em fotos de outros
Nunca os vi por mim
A noite cinzenta
Sem graça
É a única coisa que resta deste momento mágico
Um gosto amargo
Um visual feio
Sem raios
Apesar de fazer parte de um lindo céu

Sempre curti o céu azul
Tranqüilo
Sol brilhando
Rola um bronzeado
Rola uma praia
Mas o raio.........
Bom.......
O raio me excita
O sol me mostra o exterior bonito das pessoas
Mas o raio.............
O raio mostra a parte excitante
Na academia tem muita mulher gostosa
Homem gostoso
Todos bronzeados de sol
Mas poucos gostam de ver o raio
Não têm medo
Mas não têm tesão
Porque só gosta de ver raio
Realmente
Quem tem tesão

Eu tenho tesão
Gosto dos raios
Adoro os raios
Os raios me levam ao orgasmo
Pena que eu só vejo o raio na foto dos outros
Tenho que me decidir
Ou olho meus raios
Ou vou pra academia

PROCURA

PROCURA
Procura-se alguém
Entre subterfúgios
Procura-se a ponte
Que une dois abismos
Que desponte no horizonte
No reduto da diva incólume
Procura-se linhas de pensamento
Confundir pensamentos
Atrair pensamentos
Trair a razão

O vagabundo sequioso
Querendo o ensejo
Para aniquilar o sortilégio
Acabar a poesia

Procura-se um poeta
Que diga as palavras certas
Procura-se as rimas corretas
Que salvem o malandro malfadado
Que tenta convergir
Algo convexo
Procura, é rejeitado
Faz um verso de protesto
Procura-se o “andróide sem par”
O par perfeito
Que iguala, inebria, ilude, ludibria
O sábio homem
Paga-se uma recompensa
Não dá esmola
Não aceita esmola
Algo que vale a pena
No Vale inane
Que sai da pena
Um ser implume
Sem penar
Procura-se você
Que se esconde no seu entrefolho
Que se perde em minhas folhas
E para por um instante
Para Pra pensar......
Procura-se esfolhar a ti
Tirar pétalas mortas
Roubar lembranças tortas
Abrir uma porta
Descobrir uma brecha
Entrar
Procura-se ninguém
Acha-se alguém
Em quem não se pode tocar

Palavras surgem

Palavras surgem

Palavras surgem
Apenas surgem
Sussurros me sugerem escritos
Palavras brotam no papel
Palavras apenas surgem
Com ou sem sentido
Jogadas no papel ?
A interpretação não cabe a mim
Sou apenas um veiculo
Para as palavras que surgem

Sou objeto de mim mesmo
Psicografo o meu mais obscuro ser
Recebo palavras que apenas surgem
Surge algo que eu escrevo
Mas não sei dizer
A mãe de santo
Revelou-me um cigano oriental
Ele deve saber de onde surgem as palavras
Que nascem perdidas no meu interior
Eu as acho
Por isso elas surgem
Mas não surgem à toa
Nem pra qualquer pessoa
Sou alguém sem preconceito
Mas as palavras que surgem
Surgem com restrições
Não apenas surgem
Surgem com razão

Hoje em dia
Só a minha psicografia me doma
Escrevo para uma musa
Mas tenho a minha dona
As palavras surgem pra me libertar
As palavras surgem
Livram-me de tormentas
Afastam doenças do porvir
Fazem os sentimentos aflorar
Palavras surgem
Não caminham certas como o nascer e o morrer
Surgem sem esperar
Surgem pra eu me mostrar
Desfilam entre rimas ricas e pobres
Não tem distinção entre plebeu e nobre
surgem com restrições
Apenas surgem
Não sei se um dia acabarão

Tenho vergonha da minha psicografia mais perfeita
Da minha grafia mais direita
Por isso sempre evidencio meu tesão
Exibo meu lado torto
Faço do meu intimo um ser morto
Mas as palavras surgem
Não consigo evitar a minha ressurreição
Alguém sussurra palavras em meu ouvido
Palavras que sempre brotarão

A MÁQUINA

Olho no espelho
Meus cabelos caem
Vejo-os no chão
Largados
Minha liberdade arrancada
Por conceitos sem explicação

O barulho da máquina
É como o descer da guilhotina
Que reprime
E é a sentença que condena quem sai dos padrões

O Palhaço

O Palhaço

Gostas de palhaço?
Não?
Que pena
Adoro palhaços
Pena que não tenho essa vocação
Palhaços são engraçados
Nos fazem rir das nossas desgraças
É bom rir das desgraças dos outros
Gostaria de ser palhaço
Mas não sou
Que pena

Gosto de palhaço?
Não sei
Adorava o Carequinha quando era criança
Hoje nem acho graça
É simpático
Mas sem graça
Que pena
Cresci e perdi a minha inocência de criança

Na verdade
Dentro da minha inocência
Nunca quis ser o Carequinha
Palhaço engraçado, bonzinho
Esse é o Carequinha
Sempre tive uma inclinação pra bate-bola
Se alguém rir de mim
Bate-bola
Sou engraçado
Não sou palhaço
Não sou o Carequinha
Embora careca
Sou o bate-bola careca
Posso ate ser de circo
Mas não sou palhaço
Depois a criança perde a inocência
E do palhaço não vê a essência
Por isso não sou o Carequinha
Sou o bate-bola careca
A criança tem medo do bate-bola careca
Por isso quer ficar amiga dele
Não ri do bate-bola
Só quando ele pede
A criança não enjoa de rir
Do Carequinha, com o passar do tempo, você enjoa
Ele fica sem graça
Suas graças não tem mais efeito
Por isso nascem muitas crianças
As mais velhas enjoam do palhaço
Empurram o Carequinha para outros
O lance é ser bate-bola
Se rir de mim
Bate-bola
Se enjoar de mim
Bate-bola
Não precisa ter medo
Não sou palhaço
Se eu deixar, pode rir de mim
Se eu não deixar
Não ria
Nem enjoe
Senão
Bate-bola

O BEIJO DAS ONDAS NA PEDRA

O BEIJO DAS ONDAS NA PEDRA

Estava a matroca
Perdido nas pedras do Arpex
Procurando encontrar-me no mar
Senti-me um tanto débil
Inerme
Impotente diante do lídimo direito de lutar
No momento em que estava a perlustrar
A infindável briga entre o mar e as pedras
Onde ambos parecem estar osculando-se a todo o momento
Descobri que o meio termo nem sempre é o ponto de equilíbrio
Posso parecer fátuo
Posso ser fátuo
Mas se não estiver no zênite
Prefiro fazer parte do nadir
Não sou um passageiro qualquer
Se o principal papel não for meu
Não sirvo para escada
Sei que os coadjuvantes têm seu valor
Pena que ainda não aprendi a ser preterido
Nesse caso, o melhor é sentar na platéia
Admirar e bater palmas
Ou quem sabe usar minha melhor arma
Que alcança de longe
E camufla uma certa insegurança
Uma atitude de criança
Mas é o meu modo de ser

Náufragos

Náufragos

Nascemos acolhidos
Protegidos no celeiro materno
Ou somos colhidos numa esquina qualquer
É difícil deixar de ser visto como uma singela criança
Sem maldade
Mas, estamos condenados a isso

Crescemos e queremos nos livrar da proteção paternal
Algo natural
Os pais nos ensinam a ser rebeldes
É bonitinho, dizem eles
Começamos uma caminhada de náufragos
Seres carentes do amor que dispensamos
Ou, seria melhor dizer, desprezamos?
Não sei
É algo muito individual
Você já conversou consigo hoje?
Tente

Somos náufragos presos à bóia da insegurança
Passam navios
Piratas
Ou da marinha salvadora
Dispensamos, desprezamos
Nem olhamos
Continuamos náufragos no intimo do ser
Conservamos de forma ínfima a nossa carência
Relutamos quando alguém tenta se aproximar

Às vezes certas críticas são duras
Uma auto – análise é uma tendência a se isolar
Ter medo de se conhecer
É como não olhar os erros no baú velho da sua casa
Falsificar sua identidade
Não agir à vontade
Temos dificuldades numa avaliação dos nossos próprios atos
É melhor avaliar os outros
É mais engraçado
Serve pra tomar com cerveja
Não causa mal-estar
Mas mesmo que o bife de mim mesmo faça mal
Quero sempre me provar
Tente, não é ruim
Diria que.........
É só se acostumar

NADA VALE TUDO


NADA VALE TUDO

Menina ingênua
Será que tu achas que meu nada é algo sem valor
Conheces a mim?
Parece que não
Será que alguém tão sem valor
Valeria o meu nada
Não!
Alguém tão sem importância nunca será o meu nada
Meu escrito não é rico
As rimas são pobres
Mas a essência é valiosa
Se qualquer vagabunda for meu nada
Meu nada perderá seu tudo
Não troco meu tudo por um qualquer pretenso nada
O nada poético representa um todo
Vale mais que uma pizza
Não é michê

Condenas a mim
Com toda razão
Posso ser culpado
Estar todo errado
Mas não julgue meu nada de forma espúria
Não o julgue como um bastardo
Não julgue meu primogênito mais legitimo
Ele não escolheu seu progenitor
Não sou o pai perfeito
Mas projeto a perfeição na minha criação
Despreze a mim
Não menospreze o meu nada
Ele vale mais do que se pensa

Soma-se uma letra a qualquer nada
Ele torna-se um nada completo
Um nada dentro d’água
Um verbo com todos os tempos presentes
Todos tempos pretéritos
Todos os futuros tempos
Um nada sem mágoa
Com o prefixo de qualquer nada
Refiro-me a bunda mais gostosa
Não a qualquer nádega
Para o dicionário:
O nada é coisa nenhuma
É simplesmente a não existência
O que seria da existência se não existisse o nada
Meu “i” sem nada não teria significado
Posso não valer nada
Mas vale muito o meu nada

NARCISO


NARCISO

O espelho consome o homem
O homem seduz o próprio homem
O homem-mulher
A mulher segundo o homem
Um ser
Um espelho
A imagem não reflete o homem
O egoísmo
O egocentrismo
São refletidos pelo espelho
O homem adora o homem
Odeia o homem
Odeia-se
Esconde-se no espelho
A imagem substitui o homem
Sem essência
O reflexo do espelho
É o próprio homem
Sem cara, sem nome
Todos os homens
Em apenas um homem

Morte, natural?


Morte, natural?

Uma banda
Cinco integrantes
Três mortos
Num prédio pobre
Cinco amigos
Três mortos
Uma favela
Uma mansão,
Um Brasil
Milhares de mortos
Morte natural não me importa
Conto apenas os casos que se tornam naturais
Um passeio
Um cadáver
Uma grosa
O assassino goza
Em dois sentidos
Você passa despercebido
Uma mãe, uma dor
Vítima de bala perdida
Uma cachaça
Um carro no ponto de ônibus
Uma vida perdida
Não sou uma vítima
Judeus, Afegãos, Africanos
Dizimados
Vidas perdidas

MAR

MAR

Aonde eu chego tenho meu brilho
Gosto de aparecer
Ocultando meu verdadeiro ser
Sou um cara maneiro, gente boa
Mas só sirvo pra mulher à toa
Uma mulher direita não serve pra mim
Nasci canhoto
Ando errado
Nunca entro de frente
Quando entro no mar
Vou de lado
Diminui o impacto da onda
Mas a deusa do mar me acolhe
Tenho respeito a ela
Ela me admira
Ela me conhece
O mar esconde vários mistérios
Os meus mistérios estão no mar

Não sou muito confiável
Às vezes estou meio revolto
Quero todos pra mim
Se der mole
Dorme comigo
Dorme no mar
Morre na areia
O malandro
O bom nadador
Esses são as vitimas mais fáceis
Acham que sabem tudo
Cofiam no mar
Ledo engano
Eu entro de lado
Sigo conselhos de Iemanjá

Sou canhoto errado
Mas tenho meu momento de calmaria
Se me homenageiam
A mim jogam oferendas
Em mim podem navegar
Sem medo
Controlo minhas ondas
Seguro a onda na tempestade
Respeito o meu mar
Respeito minha deusa
Só precisa “oferendar”
Não me vendo barato
Gosto de produto caro
De valor
Seguro a onda
Protejo meu mar

Se “oferendar” errado
Querer navegar pagando barato
Sou mais de tirar onda
E tiro mesmo
Dou caldo
Pego pela cauda
Não tem embarcação certa
Faço piranha virar peixe de mar
Serei água de ressaca constante
Um maremoto pra quem não souber “oferendar”
Causo enjôo
Sou de dar nojo
Sou assim mesmo
Alguns sabem
Mas querem arriscar
E tem que arriscar certo
Porque sou nojento
Escroto mesmo
Tiro onda
Só respeito minha rainha do mar

Agora
Sereia querer bancar deusa comigo
Eu gosto de esculachar
Mostro-me o príncipe-boto
Escondo o meu tubarão
Finjo ser de rio
Que desce com águas diferentes
Sempre no mesmo ritmo
Com raras enchentes
Escondo meu mar
E quando a pororoca aparece
A sereia não sabe aonde nadar
Não volta pro rio
Não sai do meu mar
Sereia que banca deusa perde
Se perde no rio
Não encontra mar
Pipoca na pororoca
Não sai do lugar

Nas minhas águas não entra sereia
Posso deixar dar uma olhada
Mas só trabalho com deusa
Gosto de rainha
Não curto princesa
Princesa se acha rainha
Eu acho princesa um porre
Por isso eu não gosto de intermediário
Eu sou mar
Procuro a mulher na fonte
Não tem ilha certa
Não adianta esconder-se na ponte
Eu acho
O mar cresce a cada dia
Eu sou o mar crescente
Cresço com o mar

Agora, dependendo
Da sua oferenda
E de como você “oferendar”
O dia pode ser calmo ou revolto
Só não reclama se afogar a si
Não me culpe pelas ressacas
O tempo influencia nas atitudes do mar
Mas se “oferendar” direitinho
Nem o tempo vai revoltar
Minha água será sempre calma
Só tem um problema
Tem que ter coragem pra navegar
Entrar de lado
Sem medo
Só com respeito
“Oferendando” direitinho
Pra navegar sem enjoar

INSTINTO HUMANO


O homem é um ser que nasceu para viver estigmatizado. Se você bebe é um alcoólatra. Se usa drogas, é drogado. Se tem algum tipo de vício é, simplesmente, um viciado. Nos três exemplos citados as pessoas causam mal a si. Envolvem amigos, família e terceiros de forma, geralmente, indireta. Mas, no geral, apenas prejudicam-se.


INSTINTO HUMANO

Animais agem por instinto
Matam por instinto
Comem por instinto
Trepam por instinto
Não pensam
Têm desculpa para errar

O homem também tem instinto
Age por instinto
Arruma desculpas para seus instintos
Denomina-o impulso
Corta os pulsos
Comete suicídios sucessivos
Embriaga-se
Inebria-se
Se mata
Simplesmente mata
Um impulso
Corta os pulsos
Corta pulsos alheios
Mata-me
Mata a ti
Mata um pedaço de si
Simplesmente mata

O instinto para o suicídio
A janela do homicídio
Belas drogas
Bebidas belas
Velhas doenças
Doenças do porvir
Morrem primeiros
Segundos
Terceiros
Em segundos
Num minuto
Num homicídio premeditado
O homem fadado ao suicídio
O homem condenado ao homicídio
O homem é seu próprio juiz
É juiz do homem
Condena-se o ser indefeso
Condena o juiz
O homem
Condena por instinto
Por impulso
Corta o pulso
O homem nasce animal
O animal não nasce homem
Tem instinto
Não condena
Não é o homem
O homem condena
Por isso é racional
É homem, não é animal

FRAGMENTOS

FRAGMENTOS

Como podes me ver indiferente?
Sou radical nas atitudes
Certo?
Não trabalho com fragmentos
Não me contento com pouco
Quero você toda amiga
E toda mulher
Não tem confusão
Ambas misturam-se
Ambas dissipam-se
Sem fragmentos
Juntas
Nunca e sempre andarão
A mulher sempre será a amiga
A amiga não precisa ser mulher (embora eu queira)

Quando abro meu livro de matemática
Olho meus problemas
Sempre fujo da divisão
Fragmentação
Multiplico-me
Somo
Acho melhor subtrair
Nunca dividir
Na indecisão
Sempre marco a letra (A
Se não for a primeira opção
Com certeza
Nenhuma das respostas acima
Pode rolar um clima
Pode rolar a dissimulação
Destilando intenções terceiras (plagio)
Sempre com alguma intenção
Uso todas as operações
Divisão não

Quem divide
Contenta-se em não ter
Prefiro não ter a dividir
Subtraio
Abstraio
Mesmo que hipocritamente
Falsamente
Deixo o problema na coxia
Visto um personagem
Não divido
Ou melhor, separo
A amiga da mulher
Multiplico-me
Amigo
Homem
Somo
Subtraio
Abstraio
Não me divido
Não divido com ninguém

Dou um prato inteiro
Não existe meia fome
Meio homem
Meio nome
Quem se contenta com metade
Necessita muito
Não necessito
Quero
Mas não necessito
Necessito da amiga
A mulher eu quero
Inteira
Não dividida
Não mais me divido
Não a quero dividida
Pensamentos divididos
Pra ter dividida
Não quero

A não divisão pode ser um conceito medieval
Um paradoxo na evolução do homem
Um contraponto com o que se prega nos dias de hoje
“Divida com seu próximo”
Mas, sou moderno de armadura
Um Dom Quixote contemporâneo
Um São Jorge de vanguarda
Só por isso não divido
Mato e salvo meu dragão
Um dragão só meu
Conservo ou subtraio
Não divido
Na antítese da modernidade
Pra ser atual
Não precisa ser estigmatizado
Mas nos determinam
Ficar, pegar, estar enamorado
Não ligo para as convenções
Só não divido

Nunca valorizei um segundo lugar
Nunca me contentei em ser uma alternativa
Nunca serei o primeiro ultimo
Perco
Ou sou primeiro
Mesmo porque não concebo meia culpa
Meio gostar
Amar e meio
Quando algo cai no chão
Ou fica em pedaços
Ou se salva ileso
Quem tem na mão
Um “caco”
Nunca terá o vidro inteiro

EXPULSO

Expulsando-me

Te jogo fora. A troco de nada. Caminho bêbado pelos lugares. Jogando meu lado bom fora. Me jogo fora. A troco de nada. Valorizo minha embriaguês. Te desvalorizo. Perco meu valor. Te jogo fora. Livro-me de algo verdadeiro dentro de mim. Jogo no lixo. Embriagado de mim mesmo.Me descarto. Exacerbo meu suicídio em vida. Magôo, perco. Me mato a cada hora. Fecho meu espaço em ti. Me ponho pra fora. Porque te jogo fora. Por que te jogo fora? Queria não mais jogar. Já joguei. Joguei?Me tranquei do lado de fora. Mas quero entrar.

Covardia



Covardia

Tens medo de mim
Que pena?
Todos temem o lobo mau
Mas o vilão fascina.
Por onde andei, sempre deixei meu vazio
Procurando me preencher
Enganei-me inúmeras vezes
Enganei-as
Errei-as
Todos erram

Tens medo de mim?
Acho bom ter mesmo
Se entrares numa de jogar comigo
Vais levar algumas cicatrizes consigo
Mas, pensando bem, não quero fazer esse tipo de coisa contigo
Nesta hora pesa o lado amigo
Queria ser uma espécie de abrigo
O tal porto seguro, o qual, tu se referiste



Tens medo de mim?
Não confias no teu porto seguro
Como queres descobrir a viga do triunvirato montanhoso
Se tens medo de ousar
Tens medo de se machucar
Acha que machucaria a ti deliberadamente?
Então não sou o chamado porto seguro
Encubas o tesão pelo homem
Aflora o desejo pelo amigo
Culpas a si mesma
Acusa-se como a um bandido
Só porque tens medo de mim.

Tens medo de mim?
Então segura tua libido
Que vou sempre provocar a ti
Como amigo, lógico
Rodeado de amigas suas
Galinhas minhas
Que nunca terão medo de mim
Pena que são tão vazias
Cheias de penas
Mas não tem medo de mim

Tens medo de mim?
Aceitas sugestão?
Então enfrenta teu medo
Descobre se sou amigo ou vilão
Tens medo de achar a resposta?
Poderia te dar de antemão
Mas como tens medo de mim
Não merece reposta alguma
Vai ficar com essa frustração
Sempre a eterna pergunta
Mocinho ou ladrão?
Só porque
Tens medo de mim

Enfrentas a mim?
Terias coragem de sair dessa posição covarde?
Não!
Só lamento
A incógnita será o tormento seu de cada dia
Mas o amigo sempre estará por perto
Para consolar a ti
Apesar do medo que tu sentes de mim

Enfrentas a mim?
Como me conheces tanto?
Se não sabes distinguir se sou:
Um eremita
Uma montanha
Ou um bandeirante aventureiro
Sabes que sou um puta amigo
Me julgas como um filho-da-puta
Como pode ter medo de mim?
Como pode enfrentar a mim?
Se não conheces a mim
Se conheces dois de mim
Como podes ter medo de mim
Jamais farei mal a ti
Plagiando um amigo:
“Eu não posso causar mal nenhum
A não ser a mim mesmo
A não ser a mim”.
Jamais a ti
Mas...
Tu tens medo de mim

Castelo de Areia

Castelo de Areia

Leva-se tempo para construir um castelo de areia
Comecei alguns
Nunca os terminei
Impaciência
Medo
Inconseqüência
Vários adjetivos podem definir meus fracassos
Fato é
Nunca terminei uma obra
Não tenho uma obra minha
Acho que nunca terei

Leva-se tempo para construir um castelo de areia
Material não me falta
Nem habilidade
Nunca completei um castelo
Areia não me falta
Base não me falta
O tempo é um aliado
Mas acho que nunca terei meu castelo

Leva-se um tempo para construir um castelo de areia
Já iniciei vários
Todos tiveram o mesmo fim
Minhas brincadeiras
Erros
Perderam a graça
Meus castelos não chegam ao fim
Tenho medo de terminar
Não conseguir me libertar
Só que hoje a liberdade é um tormento
Mesmo assim nunca terei meu castelo

Leva-se um tempo para construir um castelo de areia
Mas um momento destrói
Um momento de fúria
Um ato sem pensar
O alicerce é destruído
Mais um castelo que não vou acabar

Leva-se um tempo para construir um castelo de areia
Antigamente
Começava uma construção
Achava legal não terminar
O término destruía o tesão
Construía castelos simultaneamente
Nenhum com paixão
Só tesão de mijo
Vontade de ejaculação
Hoje
Noto que perdi uma viga preciosa no passado
O começo de um castelo diferente
Algo que valeria a pena terminar
Joguei a viga fora
Destruí um alicerce único
Mais um castelo que não vou acabar

Leva-se um tempo para construir um castelo de areia
Constrói-se
Enquanto se tem disposição
Amanhã
O material pode ser escasso
Hoje já é
Ilusão querer encontrar
Um alicerce similar
O verdadeiro castelo não vou acabar

Leva-se um tempo para construir um castelo de areia
Nunca liguei por não termina-los
Até gostava
Mas estava conseguindo uma obra quase perfeita
Com uma imperfeição sedutora
O mijo de tesão
Deu lugar a algo que amedronta
Mais castelo de areia não vou acabar

Leva-se um tempo para construir um castelo de areia
Acho que vou desistir
Não tenho adversário
Em todo clássico sou favorito
Mas sempre tropeço em mim
O tropeço destrói meu castelo de areia
Um tropeço que vai destruir a mim
Não terminarei meu castelo de areia
Posso me acabar

Caso mal resolvido


Caso mal resolvido

Uma pedra rolou
Rolou simplesmente
Caiu, estagnou
Está há séculos inerte

Uma pedra rolou
Sem danos maiores
Despencou de um precipício
Sozinha
Apenas rolou
Apenas despencou
Não é um risco para o homem

O homem fez várias pedras rolarem
Uma avalanche
Vários feridos
Vítimas fatais
A pedra não rolou sozinha
O homem empurrou

A chuva caiu
Uma pedra rolou
Várias pedras rolaram
Várias vítimas
A culpa não é do homem
É do acaso
Rolou uma pedra
Não um caso
Pedras sempre rolam
Às vezes, naturalmente, causam vítimas
Mas as vítimas
Na maioria das vezes
Não são obra do acaso

Pedras nunca deixarão de rolar
Mas nem sempre são avalanches
São pedras
Não são casos
Simplesmente rolou
Uma pedra no telhado

BREGA



BREGA

Queria ser brega
Ser mais transparente para ti
Escondo-me atrás de metáforas
A minha proteção mais própria
Exponho-me
Você entende-me
Mas não sou brega

O brega manda na lata o que pensa
Pode ate´ ser brega
Mas e´ explicito
Sem rodeios
Sem um muro para acobertar
Todo poeta e´ um brega enrustido
Na verdade
Todos somos bregas
A maioria não admite
Nem eu

O brega chora por dor de cotovelo
Quem não chora?
A brega acha lindo receber flores
O brega manda
Quem não gosta de ser brega?
Eu não gosto
Mas mando flores
Não as levo
Não sou brega

O brega manda cesta de café da manhã
Quer algo mais brega?
A brega já está comendo a sua média
Mas acha linda a atitude brega
Eu mando a cesta cedinho
Só pra não ser brega
Mas se chegar tarde....
Não mando voltar
Sou brega sem querer


Quer coisa mais brega que carta de amor?
Carta tem: correio, carteiro e novamente outro correio
Um quarteto brega
Não conte errado
Dois correios, um carteiro e uma carta brega de amor
O lance é ser brega por e-mail
Ser brega passa a ser chique
A moda é ser brega na internet
Ainda bem que não visto roupa da moda
Logo sou brega

Amiga

Amiga

Todos já sabiam:
A amiga não era intocável
Eu não queria saber
A amiga quis saber
Descobriu que o toque é bom
O que é bom atormenta a cabeça

É mais tranqüilo ficar isolada na estante
Não causa tormentas
Não desperta o maremoto pubiano

Bate o arrependimento
O tesão é o tormento
Um momento gera lamento
Gera o medo da brecha que se abriu
Para novos tórridos momentos

Um olhar de filho da puta
Um sorriso maroto
Um riso de puta
Num quarto escuro, sem escuta
O medo gera desconforto
Absorto na repressão
A amizade corre risco de aborto
Um temor sem razão.

A MORTE PEDE CARONA

Morte pede carona

A morte pede carona
O malandro para no ponto
A morte pede carona
Mostra todo seu encanto
O otário para no ponto
A morte pede carona
Mesmo estando na porta de casa
Leva o malandro e otário pro mesmo caminho
Está sempre pedindo carona

A morte pede carona
Caminha sozinha
O malandro para o otário no ponto


A morte esta sozinha
Gostosa e fascinante
Pede carona para atrasar
Do lado de casa
Sem precisar

A morte pede carona
O otário é bom
Carona ele dá
A morte pede carona
O malandro não é malandro
Uma carona ele dá
Carona com propósitos diferentes
A morte é atraente
Pega carona sem precisar

A morte pede carona
O Malandro está desligado
O otário é prudente
Malandro e otário se confundem
Dão carona sem precisar

Você me pede carona
Dou-te até determinado lugar
Perco a ti pela imprudência
Nunca chegarei a nenhum lugar
A morte pede carona
Pra o seu lugar ocupar
Local que deixei vazio
Por infantilidade
Por um ato sem pensar
A morte pede carona
Me ocupa
Me culpa
Me condeno por sempre errar
Estarei sempre vazio até a morte chegar
Você me pede carona
Passo direto
Para solidão beijar
Eu te peço carona
Por você não mais me olhar
Dou carona a morte por medo de acertar
Separo o lugar vazio
Erro
Sem tentar acertar
O vazio éa minha carona
A única que consegue me aturar

AUTISTAS

AUTISTAS

Caminhamos pela rua
Avenidas e travessas cheias
Pessoas vazias
Rostos desfigurados
Retratos deformados
Sintetizam o tão falado mundo globalizado

Caminhamos pelas ruas
Autistas em potencial
Escondemo-nos no nimbo terrestre
A sombra nos assusta
O pedinte causa angústia
Seres solitários na multidão

Escravos da TV
Sonhamos com o mundo quadrado
Quando saímos do quadro domiciliar
A pintura da realidade
Transgride nossos pensamentos
Agride nossos sonhos,
Inibe a projeção das ilusões

Fala-se em guerra civil, religiosa
Mas a guerra interna é a que preocupa
Todo dia somos derrotados
A cada hora perdemos nossos soldados
Nossa cabeça é um mundo em decomposição
Doenças da moda
Dementes do pretérito
Pragas do futuro
O poder oculta os remédios
Somos plantas cheias de agrotóxico
Somos o perigo maior
Que os cientistas podem criar
Contra nós

Criticamos
Falamos em hipocrisia, demagogia
E, não saímos do lugar
Nos trancamos em convenções
Andamos nas posições pré-estabelecidas
Do lado de lá ou de cá
Lado A e B do vinil
Todas as faixas de um CD
Passos devidamente calculados
Por quem controla o poder
A guerra assusta, fascina
Gera dinheiro
Produz auto-estima
Destrói de forma imediata ou paulatina

No estalar dos dedos o mundo se faz e desfaz

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

BELO DIA


Belo dia...
A gente vai...... bater de frente
Eu,
Muito bem acompanhado
Você....,
Com qualquer namorado
Vou lhe cumprimentar gentilmente
Até porque,
Sou um louco muito bem educado
Até certo ponto,
Dissimulado
Mostro a face contente
Até certo ponto indiferente

Tomo uma cerveja
Querendo uma cicuta
Me tranco em mim
Sigo escondido num abrigo aconchegante
Cercado por todas
Sozinho.
Acho,
Nos raros momentos de solidão,
Uma saída para angústias e frustrações
Exorcizo meus demônios
Mostro-me
Falo com coragem
Abro-me
Jogado no papel
Você me vê
Mas não me recolhe
Mostra todo seu fel

ABUSO



ABUSO

Queria abusar de alguém
Deve ser bom cometer esse tipo de crime
Premeditado ou não
Usar alguém
Sem pensar o que os outros falarão

Alguém seria meu advogado
Um louco que solta seu algoz
Quem sabe......
Sofrer abuso é bom
Principalmente de forma candente
Sem pungir
Com carinho
Quem sabe fazendo sorrir

Alguém seria meu travesseiro
Estou só, sem alguém
Sozinho com várias almofadas
Meus guardas

Alguém me liberta
Me solta sem escárnio
Acalma e desperta a lava
Acontece a grande vasca
Acordo, durmo
Sonho só
Na prisão
Casa

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

FADAS E DUENDES NUS


FADAS E DUENDES NUS

Quero sempre andar lado a lado
Nu
Despido de pudores
Pré-conceitos
Conceitos
Preconceitos
Erros no pretérito imperfeito
Sem a cigana lendo as mãos do futuro
Não quero ser um visitante na praia de nudismo
Um curioso
Mero espectador
Quero me acostumar a andar pelado
Voltar aos primórdios
Parecendo moderno
Ser natural
Sem o rótulo de naturalista
Ser natural sem rótulos
Quero me acostumar a andar pelado no presente
Trancar o passado no armário
A roupa suja sem lavar
Dando uma olhada às vezes
Só de vez em quando
De quando em vez

É bom ter uma história
Para poder abrir as janelas do porvir
As pessoas estão fadadas a ficar presas nos passos errados
Eu Não!!!
Andei Errado!
Ando!
Andarei ainda muito..............
Mas........
Nunca preso
Ando me despindo
Conhecendo-me
Conhecendo alguém diferente
Ou muito igual a mim
Ando errado
Quem sabe um dia acerto o passo?

Sempre piso no pé dos outros
Quem sabe, um dia ando lado a lado
Num único passo
Lógico, sujeito a descompasso
Mas sempre para frente
Rindo do que ficou para trás
Até porque,
As pessoas,
Todas ou quase
Acham o passado uma estória triste
Não gostam de história
Nem da geografia do antes
Não gostam de decorebas
Mas decoram a vida
E vivem na merda
Não sabem conjugar os verbos
Julgam
Não conhecem os tempos do português
Ficam com medo de aprender
Com medo de errar
Eu erro mesmo!!!
Mas gosto da minha estória
Tenho história
Bonita ou feia, não sei
Eu tenho uma
Com minhas convenções
Sem convenção, Sem decoreba
E, em cada presente
Eu posso mudar o passado
Por isso, somente por isso
Eu ando nu
Tranqüilo
Para frente
Com alguém ou sozinho
Mas sempre em frente

Se tiver medo
Eu ando de gatinho
Engatinho
Para não cair muito feio
Mas sempre engatinho para frente
Posso pedir uma chupeta
Fazer charme
Para ganhar um carinho
Engatinho
Ganho um colo
Faço charme
Até choro
Querendo sempre mais
Quem sabe....
Dentro de um personagem
Quem sabe inocente
De gatinho,
Mas eu quero andar nu em pêlos
Sem fraldas
Tendo sempre na coxia o meu próximo papel
Guardando comigo....
......a minha inocência safada, sapeca
A minha inocência é assim
Faço um charme para ganhar um doce
Fico triste se não ganhar
Mas quase sempre ganho
99% das vezes

A carinha de criança cativa
Por isso, é melhor ser personagem infantil
Do que um protagonista rodriguiano
Fazer Nelson é complicado
É muito angustioso
É a história triste das pessoas
Eu gosto de contos de fadas
Até porque, as fadas são um tesão
Mas gosto de duendes também
Identifico-me com eles
Aprontam sempre
Mas aprontam com cara de inocente
Cara de criança sapeca
Sempre pedindo perdão
Mas quando é pra valer
Eles são sérios
Dão o arco-íris como caminho
Para achar um pote de ouro
Um caminho colorido
Bonito
Difícil, mas sem preconceitos
Fácil de ser visto
Difícil de ser seguido
Tem certos percalços
Mas.... de gatinho dá pra chegar
Tranqüilo
A chupeta pode cair
É só lavar

Eu também mostro a minha trilha
Raramente
Mas exponho
Você pode seguir ou não
Sugiro a primeira opção
Até porque
Sol e chuva é freqüente
Tem sempre uma viúva casando
Mas as migalhas de João e Maria
Os pássaros logo comem
A trilha some
E você pode ficar presa nas doces convenções da vida
No início é bom
Sem julgamento
Tem até gosto de chocolate
Depois entedia
Engorda, enjoa, enoja
E eu garanto: de mim, você não enjoa não
Me garanto.

PALAVRAS


PALAVRAS
Surgem palavras que não me descrevem
Não me reconhecem nos meus versos
Escondo-me atrás das poesias
Surgem frases
Não sei de onde vêm
Surgem...........
Pensamentos me violentam como a uma virgem
Não consigo impedir seu nascimento
Palavras me afligem
Jogo-as fora nesse pedaço de papel
É um jeito de me livrar desse tormento
De fazer algum lamento
Espantar demônios
Evocar deuses
Cortejar uma deusa
Criar uma diva
Alguém lê
Não me vê
Não me entende
Meu lixo é egoísta
Sai de dentro de mim
Mas não se recicla
Acumula-se
Ocupando mais espaço
Nesse escasso mundo
Surgem palavras
Surgem divas, deuses e demônios
Desapareço

Tem gente que gosta!!!